Medusa 
Quando um olho contempla outro de frente, é a si mesmo que ele vê

"Este congelamento proveniente do olhar de Medusa serve como uma metáfora para o próprio dispositivo fotográfico, e é no próprio ato da petrificação de Medusa que se encontra toda a subjetividade existente na autorrepresentação. Ao olhar para sua própria imagem refletida no escudo-espelho, Medusa realiza um autorretrato mortífero que será impresso para sempre no suporte de bronze do escudo de Perseu. Desta maneira, a face de Górgona continua exercendo seu poder, uma vez que se torna uma potente arma de guerra, símbolo do poder guerreiro, de terror e de medo, e emblema de qualquer (auto) representação. Essa máscara petrificante é representada sempre frontalmente, em posição direta com o espectador, num jogo de face-a-face com Medusa, como se fosse nosso próprio espelho mostrando a angústia absoluta e fascinante de vermos nossa própria imagem [...] sempre mascarada em sua própria exibição e sempre exibida atrás de sua própria máscara e por meio dela". Dubois.

s/ título, 2019. Série Medusa. Fotografia em gelatina e prata.

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S/ título, série Medusa, 2021. Fotografia impressa em tecido, costurada sobre tecido e tinta acrílica. 50x70 cm.

s/ título, 2019. Série Medusa. Fotografia em gelatina e prata.

Autorretrato, 2017. Pigmento mineral sobre papel.

"É adentrar no campo da fascinação proposto por seu olhar, com o risco de nos perdermos nele. Através da pulsão que fascina o homem a ponto de não poder desviar seus olhos do foco paralisante do olhar de Medusa, o voyeur é invadido pelo terror mortífero desse olhar que o possui. Neste jogo de entrecruzamento de olhares o sujeito projeta-se em uma alteridade radical que o transforma também em máscara mortuária. É importante ressaltar ainda que a facialidade de Górgona, ou seja, o fato de ela ser representada frontalmente, encarando o espectador, mostra que olhá-la nos olhos é adentrar no campo de seu olhar, tornar-se também morte, transformar-se em pedra, em figura de representação. O olhar de Medusa aproveita-se dessa sedução que envolve o ato de olhar e, acomodando-se ao olhar do outro, o sujeito confunde-se com ele, numa relação de profunda alteridade. Opera-se assim um efeito de desdobramento: o desdobramento do rosto em máscara e a superposição de duas figuras que estabelecem uma contiguidade, uma troca de estatuto que pode chegar à confusão de identidades. Mas também aqui, instaura-se o apartar-se de si mesmo, a projeção numa alteridade radical, inscrevendo-se na intimidade e no contato a maior das distâncias e o estranhamento mais completo"  Lilian Barbon

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Das inúmeras impossibilidades da fotografia revelar alguma verdade, 2020. Série Medusa. Fotografia, tinta a óleo e tinta acrílica.